“Santíssima Trindade” dos hipercarros será leiloada junta na Bélgica
Ferrari LaFerrari, McLaren P1 e Porsche 918 Spyder estarão no mesmo evento da Broad Arrow Auctions; os três exemplares são raros, têm configuração especial e, por coincidência, estão pintados em diferentes tons de cinza
Poucas combinações na história recente do automóvel conseguem reunir tanta tecnologia, desempenho e exclusividade quanto a chamada “Santíssima Trindade” dos hipercarros. Formada por Ferrari LaFerrari, McLaren P1 e Porsche 918 Spyder, a trinca marcou uma das maiores transformações da indústria de alto desempenho durante a década de 2010 ao combinar motores de combustão extremamente sofisticados com sistemas elétricos.
Agora, os três modelos terão a oportunidade de aparecer juntos novamente, mas desta vez longe das pistas: eles serão oferecidos no mesmo leilão na Bélgica.
A Broad Arrow Auctions, empresa do grupo Hagerty, confirmou que Ferrari LaFerrari, McLaren P1 e Porsche 918 Spyder estarão no catálogo da Zoute Concours Auction 2026, marcada para 9 de outubro, em Knokke-Heist, durante a Zoute Grand Prix Car Week.
O encontro é especialmente raro porque não se trata simplesmente de três carros históricos sendo vendidos no mesmo evento. Os exemplares foram cuidadosamente especificados por seus proprietários, possuem histórico documentado e apresentam uma coincidência visual curiosa: os três estão em tons especiais de cinza.
As estimativas de pré-leilão também impressionam. Somadas, ficam entre € 8 milhões e € 9,8 milhões, sem considerar eventuais disputas entre os compradores durante o pregão.
O que é a “Santíssima Trindade”?
O termo surgiu entre entusiastas e imprensa especializada para definir três dos mais importantes hipercarros híbridos apresentados em 2013.
Naquele momento, Ferrari, McLaren e Porsche desenvolveram interpretações completamente diferentes para um mesmo desafio: como utilizar a eletrificação para aumentar o desempenho de carros extremamente sofisticados.
O resultado foi uma geração de automóveis que passou a combinar:
- motores de combustão de alta potência;
- motores elétricos;
- recuperação de energia;
- aerodinâmica avançada;
- estruturas de fibra de carbono;
- gerenciamento eletrônico sofisticado;
- desempenho de nível quase experimental.
Os três também possuem outra característica em comum: produção extremamente limitada.
A Ferrari construiu apenas 499 LaFerrari para clientes, a McLaren produziu 375 P1 e a Porsche limitou o 918 Spyder a 918 unidades.
O trio surgiu no mesmo período, mas com filosofias diferentes
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Apesar de serem constantemente agrupados, os três carros seguiram caminhos técnicos bastante diferentes.
A LaFerrari apostou em um V12 aspirado de altíssima rotação associado ao sistema HY-KERS.
O McLaren P1 utilizou um V8 3.8 biturbo combinado a um motor elétrico e concentrou grande parte de sua identidade na aerodinâmica ativa.
Já o Porsche 918 Spyder recorreu a um V8 derivado de competição e dois motores elétricos, um deles responsável pela tração dianteira, criando um sistema de tração integral híbrida extremamente sofisticado.
Ou seja, o conceito era semelhante, mas as soluções de engenharia eram distintas.
Ferrari LaFerrari 2015
Estimativa: € 4 milhões a € 5 milhões
Entre os três carros do leilão, a LaFerrari possui a maior estimativa de venda.
O exemplar é um modelo de 2015, identificado pelo chassi 208220, e apresenta uma configuração particularmente rara.
A carroceria está pintada em Grigio Ferro Metallizzato, uma cor histórica da Ferrari utilizada em uma pequena parcela dos 499 carros produzidos.
Segundo o catálogo, estima-se que apenas aproximadamente 2,5% das LaFerrari tenham sido entregues nessa tonalidade. O teto recebeu acabamento Nero D.S..
O modelo também possui pacote exterior com elementos em fibra de carbono, rodas de acabamento fosco e pinças de freio em alumínio.
LaFerrari tem apenas 13.069 km
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O histórico do carro é outro fator que aumenta seu interesse.
A unidade foi entregue nova na Bélgica em fevereiro de 2015 e teve um único proprietário durante praticamente toda sua trajetória.
No momento da catalogação para o leilão, o hodômetro marcava 13.069 km.
A documentação mostra manutenção realizada por concessionários oficiais da Ferrari ao longo dos anos, incluindo revisões em 2016, 2017, 2019 e 2025/2026.
Bateria da LaFerrari foi substituída em 2026
Um detalhe particularmente importante para um hipercarro híbrido dessa idade está justamente na bateria.
Após inspeções realizadas em 2026, foi detectada uma elevação de temperatura em uma das células do sistema de alta tensão.
A Ferrari autorizou então a substituição completa da bateria de alta tensão, realizada em agosto de 2026, dentro da extensão de garantia LaFerrari Power Warranty.
Para um futuro comprador, essa informação é relevante porque a bateria é um dos componentes de maior valor e complexidade de uma LaFerrari.
O exemplar será entregue com documentação de manutenção, carregador original e registros de serviço.
V12 de 6,3 litros e 963 cv
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A LaFerrari foi o primeiro hipercarro híbrido de produção da marca italiana.
O conjunto mecânico combina:
V12 6.262 cm³ aspirado
800 cv do motor a combustão
163 cv do motor elétrico
963 cv de potência combinada
mais de 900 Nm de torque
O V12 pode girar até 9.250 rpm e utiliza o sistema HY-KERS, desenvolvido com tecnologia derivada da experiência da Ferrari na Fórmula 1.
A potência é enviada às rodas traseiras por meio de uma transmissão de dupla embreagem de sete marchas.
A Ferrari declara velocidade máxima superior a 350 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h inferior a três segundos.
Porsche 918 Spyder Weissach Package
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Estimativa: € 2,6 milhões a € 3 milhões
O segundo integrante da trinca é um Porsche 918 Spyder de 2015, equipado com o cobiçado Weissach Package.
O carro possui o número de produção 142 e chassi WP0ZZZ91ZFS800142.
Sua principal particularidade visual é a pintura Individualfarbe Paint to Sample Sport Classic Grey.
Segundo a Broad Arrow, esta é a única unidade entregue na Europa conhecida com essa combinação de pintura.
918 tem interior Espresso
Enquanto o exterior segue uma tonalidade cinza extremamente discreta, o interior quebra a monotonia.
O proprietário escolheu revestimento em Espresso Leather to Sample, criando contraste com a carroceria.
O carro também recebeu o Weissach Package, que acrescenta componentes de redução de peso e elementos de fibra de carbono, além de rodas de magnésio.
A configuração torna o exemplar diferente de um 918 convencional.
Porsche 918 tem 887 cv
O sistema híbrido utiliza:
V8 4.6 litros aspirado
608 cv do motor a combustão
dois motores elétricos
887 cv de potência combinada
1.280 Nm de torque
A potência é enviada para os quatro pneus.
O motor elétrico dianteiro movimenta exclusivamente o eixo dianteiro, enquanto o V8 e o segundo motor elétrico atuam no eixo traseiro.
Essa solução permitiu à Porsche criar uma forma sofisticada de tração integral.
O conjunto acelera de 0 a 100 km/h em 2,6 segundos, alcança 345 km/h e foi capaz de registrar uma volta de 6min57s no Nürburgring Nordschleife na configuração Weissach.
918 também possui histórico especial
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O exemplar do leilão acumulava aproximadamente 18.870 km no momento da catalogação.
Isso o diferencia do McLaren P1, que praticamente permaneceu armazenado desde novo.
O 918 também passou recentemente por manutenção importante, incluindo serviços relacionados à transmissão PDK e outros itens mecânicos.
McLaren P1 2015
Estimativa: € 1,4 milhão a € 1,8 milhão
O terceiro integrante da trinca é também o mais próximo de um carro novo.
O McLaren P1 número 352, fabricado em 2015, percorreu somente 293 quilômetros desde zero.
É um daqueles veículos que os colecionadores costumam chamar de “time capsule”, ou cápsula do tempo.
O carro foi entregue novo na Bélgica e permaneceu com um único proprietário. É apenas um dos dois P1 entregues originalmente na Bélgica, segundo o catálogo.
P1 nunca rodou na chuva
O histórico de preservação é particularmente incomum.
O proprietário afirma que o carro nunca rodou na chuva.
Também não teria sido lavado pelo método convencional com água.
O proprietário optou por manter o automóvel exclusivamente com detalhamento profissional, preservando até os pneus originais.
É um nível de conservação muito diferente do observado normalmente em um hipercarro de 10 anos.
P1 possui 92% de capacidade da bateria
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O sistema híbrido também foi inspecionado recentemente.
Durante a manutenção realizada na McLaren Brussels em julho de 2026, a bateria de alta tensão apresentou 92% de capacidade de retenção de carga, segundo a documentação do lote.
Isso não significa que a bateria tenha 92% de “saúde” em qualquer condição ou que esse percentual permaneça constante indefinidamente; trata-se do resultado da avaliação registrada naquele momento.
V8 biturbo e 916 cv
O McLaren P1 utiliza:
V8 3.799 cm³
dois turbocompressores
motor elétrico
916 PS / 903 bhp
900 Nm
A potência é enviada às rodas traseiras por uma transmissão SSG de dupla embreagem e sete marchas.
A McLaren informa:
0–100 km/h: 2,8 segundos
0–200 km/h: 6,8 segundos
velocidade máxima: 350 km/h
O peso seco mínimo divulgado é de 1.395 kg.
P1 utiliza aerodinâmica ativa
A aerodinâmica é uma das marcas registradas do projeto.
A McLaren utiliza componentes móveis na dianteira e na traseira, incluindo a grande asa traseira.
O sistema consegue gerar até 600 kg de downforce, mantendo simultaneamente resistência aerodinâmica relativamente baixa.
A ideia era criar um carro de rua com soluções que lembrassem diretamente a experiência da Fórmula 1.
Os três são híbridos, mas de maneiras diferentes
Essa é uma das maiores curiosidades da “Santíssima Trindade”.
Os três carros foram pioneiros na eletrificação aplicada ao desempenho, mas nenhum utiliza a mesma solução.
| Característica |
Ferrari LaFerrari |
McLaren P1 |
Porsche 918 Spyder |
| Motor térmico |
V12 6.3 aspirado |
V8 3.8 biturbo |
V8 4.6 aspirado |
| Potência total |
963 cv |
916 PS |
887 PS |
| Motores elétricos |
1 principal + sistema auxiliar |
1 |
2 |
| Tração |
Traseira |
Traseira |
Integral |
| Câmbio |
DCT 7 marchas |
DCT 7 marchas |
PDK 7 marchas |
| Produção |
499 |
375 |
918 |
| 0–100 km/h |
< 3 s |
2,8 s |
2,6 s |
| Velocidade máxima |
>350 km/h |
350 km/h |
345 km/h |
| Peso seco divulgado |
cerca de 1.255 kg* |
1.395 kg |
— |
| Ano apresentado |
2013 |
2013 |
2013 |
*Valor de referência de ficha técnica, sujeito à metodologia utilizada.
Dados de Ferrari, McLaren e Porsche.
A grande transformação veio da eletrificação
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O mais importante na “Santíssima Trindade” não foi apenas a potência.
Em 2013, os três fabricantes demonstraram que a eletrificação poderia trabalhar em conjunto com motores de alto desempenho.
Até então, sistemas híbridos eram associados principalmente à redução de consumo.
Ferrari, McLaren e Porsche mostraram outra possibilidade:
usar motores elétricos para melhorar a resposta, aumentar a potência e controlar melhor a entrega de força.
Essa filosofia se tornou extremamente comum nos supercarros atuais.
Modelos híbridos de Ferrari, McLaren e Porsche passaram a utilizar a eletrificação não apenas como recurso ambiental, mas também como ferramenta de desempenho.
LaFerrari, P1 e 918 ajudaram a definir a década de 2010
A importância histórica dos três está justamente nesse pioneirismo.
Eles foram desenvolvidos em uma época em que baterias ainda eram relativamente pesadas e a eletrificação em carros esportivos estava longe de ser uma solução comum.
Mesmo assim, os três conseguiram combinar:
potência extraordinária + baixa produção + tecnologia híbrida + estrutura leve.
O resultado foi uma geração de automóveis que continua sendo referência mais de uma década depois.
O detalhe curioso: os três estão cinza
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A coincidência visual é um dos elementos mais interessantes do leilão.
Ferrari LaFerrari
Grigio Ferro Metallizzato
McLaren P1
MSO Storm Grey
Porsche 918 Spyder
Sport Classic Grey
As três cores são diferentes, mas pertencem à mesma família visual.
É um acaso particularmente apropriado para três automóveis que já são raros individualmente.
O McLaren é praticamente zero-quilômetro
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Entre os três, o P1 é o que possui a quilometragem mais impressionante.
São apenas:
293 km
Isso é equivalente a pouco mais de 180 milhas.
O exemplar conserva características originais e possui documentação desde a entrega.
Além disso, os opcionais escolhidos pelo proprietário somam aproximadamente € 50 mil, incluindo itens da divisão McLaren Special Operations e o Stealth Pack.
A LaFerrari tem um histórico importante de manutenção
Embora tenha rodado muito mais que o P1, a LaFerrari também possui um ponto relevante para um colecionador.
A substituição integral da bateria de alta tensão foi feita em agosto de 2026, sob a cobertura da garantia estendida.
O carro também passou toda sua vida sendo atendido pela rede oficial da Ferrari.
A documentação acompanha o veículo.
918 recebeu Weissach Package
O Porsche oferecido no leilão também não é uma configuração comum.
O Weissach Package era destinado a reduzir peso e aumentar a capacidade dinâmica do 918.
Entre as características estão componentes adicionais de fibra de carbono e rodas de magnésio.
O objetivo era transformar um carro que já era extremamente rápido em uma máquina ainda mais concentrada na condução esportiva.
O leilão será realizado em Knokke-Heist
A Zoute Concours Auction ocorrerá na área do Approach Golf, em Knokke-Heist, na Bélgica.
O evento será realizado em 9 de outubro de 2026, como parte da Zoute Grand Prix Car Week, que acontece entre 7 e 11 de outubro.
A semana reúne automóveis históricos, supercarros, arte e eventos ligados ao universo automotivo.
Mais de 70 carros estarão no catálogo
A “Santíssima Trindade” será a grande atração de um catálogo muito mais amplo.
A Broad Arrow deverá oferecer mais de 70 veículos de coleção durante o evento.
Entre outros destaques estão:
- Porsche Carrera GT;
- Ferrari 599 GTO;
- Ferrari 812 Competizione;
- Ferrari 488 Pista Piloti;
- Lamborghini Countach;
- Jaguar XJ220;
- Mercedes-Benz 300 SL.
Isso cria um ambiente especialmente interessante para colecionadores de automóveis raros.
Estimativas dos três hipercarros
| Modelo |
Ano |
Estimativa |
| Ferrari LaFerrari |
2015 |
€ 4,0–5,0 milhões |
| Porsche 918 Spyder Weissach |
2015 |
€ 2,6–3,0 milhões |
| McLaren P1 |
2015 |
€ 1,4–1,8 milhão |
| Total estimado |
— |
€ 8,0–9,8 milhões |
As estimativas são valores prévios ao leilão e não representam necessariamente o preço final de venda.
Quanto vale a “Santíssima Trindade” atualmente?
A presença dos três no mesmo evento também permite observar como o mercado de colecionáveis trata esses modelos.
As estimativas mostram uma diferença considerável entre os três.
A LaFerrari possui a estimativa mais alta, seguida pelo 918 e pelo P1.
Mas preço de leilão não depende apenas do modelo.
Também entram na conta:
- quilometragem;
- histórico;
- número de proprietários;
- especificação;
- cor;
- opcionais;
- manutenção;
- documentação;
- condição mecânica;
- originalidade.
Por isso, dois carros teoricamente iguais podem alcançar resultados completamente diferentes.
A cor pode fazer diferença entre os colecionadores
Nos três exemplares do leilão, a pintura possui uma função importante.
A LaFerrari utiliza uma cor rara dentro da produção.
O 918 possui uma configuração Paint to Sample extremamente incomum.
O P1 foi configurado com uma tonalidade exclusiva da divisão MSO.
Isso transforma simplesmente “ter um LaFerrari, P1 ou 918” em algo mais específico.
O comprador está adquirindo um exemplar determinado, com uma história particular.
O que torna o 918 tão especial?
O Porsche é um caso particular porque consegue combinar alto desempenho com uma arquitetura híbrida extremamente sofisticada.
O motor elétrico dianteiro permite controlar independentemente a entrega de torque no eixo dianteiro.
Com o motor elétrico traseiro e o V8, o sistema tem múltiplas possibilidades de distribuição de força.
Além disso, o 918 Weissach foi desenvolvido diretamente com foco em redução de massa.
O que torna o P1 diferente?
A filosofia da McLaren foi concentrada na relação entre aerodinâmica e desempenho.
O P1 utiliza fibra de carbono, motor biturbo e aerodinâmica ativa para gerar grande carga aerodinâmica.
A McLaren chegou a definir o carro como uma espécie de laboratório tecnológico para levar soluções de competição às ruas.
O exemplar oferecido na Bélgica acrescenta outro fator: apenas 293 km.
E a LaFerrari?
A Ferrari seguiu um caminho mais tradicional em termos de motor.
Em vez de um V8 turbo, utilizou um V12 aspirado de 6,3 litros, com capacidade para ultrapassar 9.000 rpm.
O motor elétrico foi empregado principalmente para ampliar a resposta e preencher as lacunas de torque nas rotações mais baixas.
Isso permitiu manter a personalidade de um V12 Ferrari de alta rotação.
Três carros que ajudaram a mudar os superesportivos
Talvez essa seja a principal razão pela qual os três continuam tão relevantes.
A “Santíssima Trindade” mostrou que um carro híbrido não precisava ser apenas econômico.
Ele poderia ser:
mais rápido, mais eficiente, mais tecnológico e mais complexo.
Hoje, os sistemas híbridos de alto desempenho são muito mais comuns.
Em 2013, porém, estavam praticamente no início de uma nova era.
O que aconteceu depois?
Ferrari, McLaren e Porsche continuaram desenvolvendo tecnologias híbridas.
A Ferrari passou a utilizar sistemas eletrificados em diferentes modelos, inclusive nos V6 e V8 mais recentes.
A McLaren adotou eletrificação em outros esportivos e supercarros.
A Porsche transformou a experiência do 918 em parte de uma estratégia muito maior de eletrificação de seus modelos.
Nesse sentido, os três carros foram mais do que produtos.
Foram laboratórios tecnológicos sobre rodas.
A “Santíssima Trindade” poderá ser arrematada individualmente
Um detalhe importante é que os carros não estão sendo oferecidos como um único lote.
Cada automóvel é um lote independente.
Isso significa que um colecionador pode adquirir apenas um deles.
Para levar os três, seria necessário vencer os três respectivos pregões.
A própria Broad Arrow apresenta a oportunidade como uma chance extremamente rara de reunir os integrantes do trio, mas o leilão será composto pelas vendas individuais.
Não há garantia de que os três terão o mesmo comprador
Mesmo que exista um colecionador com interesse nos três, nada garante que todos terminarão na mesma garagem.
Os lances ocorrerão individualmente.
É possível que diferentes compradores disputem cada automóvel.
Por isso, a reunião dos três no mesmo catálogo é provavelmente o principal evento, independentemente de quem compre cada carro.
Ficha técnica resumida
Ferrari LaFerrari
Motor: V12 6.3 aspirado
Potência do V12: 800 cv
Motor elétrico: 163 cv
Potência combinada: 963 cv
Torque: mais de 900 Nm
Tração: traseira
Câmbio: dupla embreagem, 7 marchas
Produção: 499 unidades
Exemplar do leilão: chassi 208220
Quilometragem: 13.069 km
Cor: Grigio Ferro Metallizzato
Estimativa: € 4–5 milhões.
McLaren P1
Motor: V8 3.8 biturbo
Potência combinada: 916 PS
Torque: 900 Nm
Tração: traseira
Câmbio: dupla embreagem, 7 marchas
0–100 km/h: 2,8 s
Velocidade máxima: 350 km/h
Peso seco mínimo: 1.395 kg
Downforce: até 600 kg
Produção: 375 unidades
Exemplar do leilão: P1 nº 352
Quilometragem: 293 km
Cor: MSO Storm Grey
Estimativa: € 1,4–1,8 milhão.
Porsche 918 Spyder Weissach
Motor: V8 4.6 aspirado
Potência do motor: 608 cv
Potência combinada: 887 PS
Torque: 1.280 Nm
Motores elétricos: dois
Tração: integral
Câmbio: PDK, 7 marchas
0–100 km/h: 2,6 s
Velocidade máxima: 345 km/h
Produção: 918 unidades
Exemplar do leilão: nº 142
Quilometragem: 18.870 km
Cor: Sport Classic Grey
Pacote: Weissach
Estimativa: € 2,6–3 milhões.
Conclusão
A realização da Zoute Concours Auction, em 9 de outubro de 2026, poderá proporcionar uma das reuniões mais raras já vistas no mercado de carros de coleção: Ferrari LaFerrari, McLaren P1 e Porsche 918 Spyder no mesmo leilão.
A chamada “Santíssima Trindade” representa uma geração que marcou uma mudança fundamental nos hipercarros.
A LaFerrari levou o tradicional V12 aspirado italiano à era híbrida com 963 cv.
O McLaren P1 combinou um V8 biturbo de 916 PS com aerodinâmica ativa capaz de produzir até 600 kg de downforce.
O Porsche 918 Spyder utilizou um V8 aspirado associado a dois motores elétricos, entregando 887 PS, tração integral e desempenho capaz de levar o modelo a 345 km/h.
Mais de uma década depois, os três continuam sendo referências da primeira grande geração de hipercarros híbridos.
E os exemplares escolhidos pela Broad Arrow tornam o encontro ainda mais interessante.
A LaFerrari tem uma rara pintura Grigio Ferro Metallizzato, 13.069 km e recebeu uma bateria de alta tensão nova em agosto de 2026 sob a garantia estendida da Ferrari.
O P1, por sua vez, é praticamente uma cápsula do tempo, com apenas 293 km, acabamento MSO Storm Grey, pacote Stealth e bateria avaliada recentemente em 92% de retenção de carga.
Já o 918 Spyder Weissach possui uma configuração Paint to Sample Sport Classic Grey descrita pela Broad Arrow como única entre os exemplares europeus conhecidos, além do pacote Weissach e interior Espresso.
As estimativas, juntas, ficam entre € 8 milhões e € 9,8 milhões.
Mas o valor financeiro é apenas uma parte da história.
O que torna esse leilão especial é a possibilidade de observar, lado a lado, três interpretações diferentes para o mesmo desafio tecnológico.
Ferrari, McLaren e Porsche olharam para a eletrificação de três maneiras distintas — e criaram carros que acabaram definindo uma era.
A “Santíssima Trindade” não foi apenas uma disputa entre três hipercarros. Foi o momento em que a eletrificação deixou de ser vista como inimiga da performance e passou a se tornar uma das principais ferramentas para levar os automóveis de alto desempenho a um novo patamar.
E, em outubro de 2026, os três voltarão a ficar juntos — desta vez, esperando pelos lances de alguns dos maiores colecionadores de carros do mundo.
FOTO: “Imagem ilustrativa — não corresponde exatamente ao modelo real.”