Nove carros fora de série brasileiros que usaram mecânica Volkswagen e tinham visual de superesportivo
De esportivos com inspiração em Ferrari e Lamborghini a um jipe de fibra de vidro e um microcarro que lembrava o Porsche 928, fabricantes nacionais aproveitaram motores e plataformas da Volkswagen para criar automóveis exclusivos. A lista inclui Puma, Miura, Bianco, Adamo, Dacon 828, Gurgel Xavante e até um esportivo com motor do Golf GTI.
Durante décadas, comprar um automóvel diferente no Brasil era um privilégio de poucos. Com as importações de veículos restritas e o mercado concentrado nas grandes montadoras, pequenos fabricantes encontraram uma oportunidade: desenvolver carros de produção artesanal, com desenho próprio e mecânica de modelos nacionais já conhecidos.
A Volkswagen acabou se tornando uma das principais fornecedoras dessa indústria independente. Seus motores, transmissões e plataformas eram relativamente acessíveis, tinham ampla disponibilidade de peças e facilitavam a manutenção. Com carrocerias de fibra de vidro, os projetistas conseguiam criar veículos de aparência bastante diferente dos modelos que serviam de base.
O resultado foi uma geração de automóveis que misturava soluções simples de engenharia com desenhos ousados. Alguns pareciam esportivos italianos; outros tinham propostas urbanas, enquanto a Gurgel levou a fórmula para o segmento de utilitários.
A seguir, conheça nove fora de série nacionais que aproveitaram a mecânica Volkswagen, desde os motores boxer refrigerados a ar até os propulsores AP e o 1.8 turbo de 20 válvulas utilizado pelo Golf GTI.
1. Lobini H1: motor do Golf GTI em posição central-traseira
O Lobini H1 foi uma das tentativas mais recentes de colocar um esportivo brasileiro de pequena produção no mercado. Idealizado pelo empresário José Orlando Lobo e pelo engenheiro Fábio Birolini, o modelo teve seu protótipo apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 2002. A produção começou em 2005, em Cotia (SP), e terminou em 2012, com aproximadamente 70 unidades fabricadas.
Seu desenho seguia a escola dos roadsters europeus, mas tinha uma característica que chamava atenção: as portas com abertura vertical e acionamento elétrico.
A mecânica também era especial. O H1 utilizava o motor Volkswagen 1.8 turbo de 20 válvulas, associado ao Golf GTI, com cerca de 180 cv. Diferentemente dos carros que aproveitavam a plataforma convencional de modelos VW, o Lobini tinha motor central-traseiro, tração traseira e câmbio manual de cinco marchas.
Com peso aproximado de 1.030 kg, a fabricante declarava aceleração de zero a 100 km/h em menos de seis segundos e velocidade máxima próxima de 220 km/h.
Apesar da proposta esportiva, o H1 oferecia equipamentos como ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos, sistema de som e bancos de couro. A ausência de ABS e controle de tração, contudo, exigia maior atenção do motorista.
2. Hofstetter Turbo: um supercarro brasileiro dos anos 1980
Com desenho futurista e portas que abriam para cima, o Hofstetter Turbo parecia um carro-conceito europeu. Criado por Mário Richard Hofstetter, foi apresentado ao público no Salão do Automóvel de São Paulo de 1984, mas sua produção artesanal começou em 1986.
O modelo tinha faróis escamoteáveis, carroceria extremamente baixa — com pouco mais de um metro de altura — e motor instalado em posição central-traseira sobre um chassi tubular.
Nas primeiras unidades, o conjunto mecânico era o 1.8 turbo do Gol GT, com aproximadamente 140 cv. Mais tarde, o carro passou a utilizar o 2.0 turbo do Santana, que priorizava maior torque.
A velocidade máxima ficava na faixa de 200 a 220 km/h, conforme a configuração. A produção foi muito pequena: estimativas apontam algo entre 18 e 20 unidades fabricadas entre 1986 e 1991.
O preço elevado e a complexidade de um projeto tão artesanal limitaram sua presença nas ruas. Hoje, o Hofstetter é lembrado como um dos carros brasileiros mais incomuns de sua época.
PUBLICIDADE
3. Puma GT 1500: o esportivo que ajudou a criar uma identidade nacional
A história da Puma começou em 1964, em Matão, interior de São Paulo, com o GT Malzoni, inicialmente equipado com mecânica DKW. Após a aquisição da Vemag pela Volkswagen, em 1967, a fabricante precisou buscar uma nova base mecânica.
A solução foi utilizar componentes da Volkswagen. Assim surgiu o Puma GT 1500, que aproveitava o chassi do Karmann-Ghia, encurtado em 25 centímetros, e o motor boxer 1.5 refrigerado a ar, montado na traseira.
Com carroceria de fibra de vidro e peso aproximado de 700 kg, o modelo tinha cerca de 60 cv. A leveza ajudava a compensar a potência modesta, enquanto o desenho baixo e curvilíneo remetia aos esportivos europeus, especialmente ao Lamborghini Miura.
Em 1970, o Puma recebeu o motor VW 1600, com potência que chegava a aproximadamente 70 cv. Depois vieram as versões GTE e GTS, que consolidaram a marca entre os fabricantes nacionais de esportivos.
A Puma se tornou uma das empresas mais conhecidas desse segmento e, ao longo dos anos, também desenvolveu modelos com mecânica Chevrolet, como o GTB.
4. Bianco S: linhas de competição com motor de Brasília
Apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 1976, o Bianco S nasceu da experiência de Toni Bianco, projetista italiano radicado no Brasil e conhecido por seus trabalhos no automobilismo.
O desenho tinha inspiração em protótipos de competição, com carroceria baixa de fibra de vidro, entradas de ar sobre o capô e três lanternas redondas na traseira. O modelo chegou a receber cerca de 180 encomendas durante o salão.
A versão de produção utilizava a plataforma da Volkswagen Brasília e o motor boxer 1.6 refrigerado a ar, com dupla carburação e aproximadamente 65 cv. O propulsor ficava na traseira, seguindo a arquitetura tradicional dos modelos VW da época.
Embora o desempenho não fosse o principal destaque, o Bianco S chamava atenção pelo visual e pela ligação com o automobilismo. A empresa também produziu o Tarpan e uma versão conversível, mas o S permaneceu como seu modelo mais conhecido.
A fabricante, sediada em Diadema (SP), encerrou suas atividades no fim da década de 1970.
5. Dacon 828: um microcarro inspirado no Porsche 928
PUBLICIDADE
Entre os modelos mais curiosos da lista está o Dacon 828, um microcarro de apenas dois lugares desenvolvido pela Dacon, empresa paulista que também teve ligação com a representação da Porsche no Brasil.
O projeto começou em 1982 e recebeu desenho de Anísio Campos, profissional que também participou da criação de outros esportivos nacionais. O estilo lembrava o Porsche 928, mas suas dimensões eram muito menores: aproximadamente 2,5 metros de comprimento e 1,60 m de largura.
A carroceria era feita de fibra de vidro e montada sobre um chassi Volkswagen encurtado. O motor boxer 1.6 refrigerado a ar, instalado na traseira, entregava cerca de 65 cv e trabalhava com câmbio manual de quatro marchas.
A velocidade máxima declarada ficava próxima de 142 km/h. Também existiu uma versão a álcool, com potência ligeiramente superior.
O piloto Nelson Piquet chegou a testar um protótipo equipado com motor VW 2.1, mais potente. Segundo relatos da época, ele destacou a leveza e a agilidade do pequeno carro.
A produção foi muito limitada: apenas 47 unidades foram vendidas. O Dacon 828 acabou se tornando uma espécie de “mini Porsche 928” com mecânica de origem Volkswagen e um dos fora de série mais raros do país.
6. Miura Sport: luxo e desenho futurista sobre base da Brasília
PUBLICIDADE
A marca Miura surgiu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a partir da iniciativa de Aldo Besson e Itelmar Gobbi, empresários que atuavam no setor de acessórios automotivos.
O primeiro modelo, o Miura Sport, foi lançado em 1977 com carroceria de fibra de vidro desenhada por Nilo Laschuk. Seu visual em formato de cunha, os faróis escamoteáveis e a baixa altura lembravam esportivos italianos, especialmente modelos da Lamborghini.
Por baixo da carroceria, porém, estava a mecânica da Volkswagen Brasília: motor boxer 1.6 refrigerado a ar, instalado na traseira, dupla carburação e câmbio manual de quatro marchas.
O acabamento interno era um diferencial. O modelo podia oferecer bancos de couro, painel completo e até volante com ajuste elétrico de altura, recursos pouco comuns em automóveis nacionais daquela época.
A evolução veio com o Miura Sport II, que abandonou o motor refrigerado a ar e adotou o 1.6 refrigerado a água do Passat TS, com cerca de 88 cv e tração dianteira. A marca continuou desenvolvendo outros modelos, como Targa, Spider e Saga, até encerrar suas atividades em 1992.
7. L’Automobile Ventura: esportivo que também podia ser vendido em kit
PUBLICIDADE
O Ventura, da L’Automobile, foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 1978. A empresa já trabalhava com réplicas de automóveis históricos e oferecia alguns projetos em forma de kit, permitindo que o comprador montasse o veículo.
O Ventura tinha carroceria de fibra de vidro e desenho moderno para a época, com capô longo e traseira fastback. O visual se diferenciava de rivais como Puma e SP2, enquanto o interior apostava em bancos de veludo, painel revestido e instrumentação completa.
A base mecânica exata variava conforme a configuração e é descrita de maneiras diferentes nos registros históricos. O modelo utilizou componentes Volkswagen, incluindo conjuntos associados à Brasília, Variant II e SP2. Nas evoluções posteriores, recebeu motor 1.6 do Passat e, em 1984, o AP 1.8, com velocidade máxima divulgada próxima de 185 km/h.
O Ventura também foi exportado em forma de kit para mercados como Estados Unidos, Alemanha e Argentina. Os números de produção são incertos, característica comum entre pequenos fabricantes artesanais daquele período.
8. Gurgel Xavante X-10: o jipe de fibra que manteve a mecânica VW
PUBLICIDADE
Nem todo fora de série nacional queria parecer um esportivo italiano. A Gurgel aproveitou a mecânica Volkswagen para criar veículos utilitários com proposta própria, entre eles o Xavante X-10.
A empresa foi fundada em 1969 pelo engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. Depois de desenvolver o buggy Ipanema, a fabricante apresentou em 1973 o Xavante, um jipe de carroceria de fibra de vidro pensado para enfrentar terrenos difíceis e atender também ao uso rural.
Um dos diferenciais era o chassi Plasteel, desenvolvido pela própria Gurgel: uma estrutura tubular revestida com fibra de vidro. Assim, o X-10 não dependia da plataforma VW convencional, embora mantivesse a mecânica da marca alemã.
O motor era o boxer 1.6 refrigerado a ar, com cerca de 60 cv, instalado na traseira. A tração era 4×2, mas o câmbio utilizava relações mais curtas para favorecer o uso em baixa velocidade.
Outro recurso exclusivo era o Selectraction, sistema com dois freios de mão independentes, um para cada roda traseira. Ao frear a roda que patinava, o motorista podia ajudar a transferir força para a outra, facilitando a saída de situações de baixa aderência.
O Xavante evoluiu para as versões X-11 e X-12 e permaneceu como um dos projetos mais representativos da Gurgel.
9. Adamo GT: um esportivo com traseira que lembrava a Ferrari Dino
A Adamo Veículos, criada por Milton Adamo, apresentou seu primeiro protótipo no Salão do Automóvel de 1968. O modelo de produção chegou em 1971, com uma proposta que misturava características de buggy e roadster, sem portas e sem teto rígido.
O primeiro Adamo GT utilizava motor Volkswagen 1.3 refrigerado a ar. Mas foi o GT-2, apresentado em 1974, que ganhou maior reconhecimento.
Com quatro faróis circulares, carroceria de fibra de vidro e traseira que remetia à Ferrari Dino, o GT-2 tinha desenho bastante ousado. A mecânica era Volkswagen, com chassi não encurtado, motor boxer 1.6 refrigerado a ar e peso aproximado de 890 kg.
A evolução da marca incluiu o GTL, lançado em 1979, com faróis escamoteáveis e inspiração visual na Ferrari 308 GT. O motor VW 1.6 a ar com dupla carburação entregava aproximadamente 70 cv.
Mais tarde surgiram conversíveis e modelos com motores Volkswagen refrigerados a água, como o CRX 1.8 e o AC2000 2.0. A produção total estimada da Adamo ficou em torno de 1.700 veículos, e alguns exemplares chegaram a ser exportados.
Por que tantos fora de série usavam mecânica Volkswagen?
A escolha não era apenas uma questão de preferência. Para uma pequena fábrica, desenvolver motor, câmbio, suspensão e outros componentes do zero exigiria investimentos muito elevados.
A Volkswagen oferecia uma solução prática: conjuntos mecânicos produzidos em grande escala, com peças disponíveis e manutenção conhecida por oficinas de todo o país.
A fibra de vidro também foi fundamental. Diferentemente de uma carroceria de aço, que exige prensas industriais e ferramentas de alto custo, o material permitia fabricar peças complexas com moldes mais acessíveis. Isso viabilizava produções pequenas e desenhos difíceis de obter em linhas convencionais.
A combinação entre mecânica conhecida e carroceria artesanal permitiu que empresas nacionais criassem automóveis com identidade própria, mesmo sem contar com a estrutura industrial das grandes montadoras.
Do Fusca ao Golf GTI: a evolução da mecânica nos fora de série
A trajetória desses veículos mostra como a indústria independente acompanhou a evolução dos carros Volkswagen.
|
Base mecânica |
Modelos que utilizaram |
Característica |
|---|---|---|
|
VW boxer 1.3 e 1.5 a ar |
Adamo GT, Puma GT |
Mecânica simples e leve |
|
VW boxer 1.6 a ar |
Bianco S, Miura Sport, Dacon 828, Gurgel Xavante |
Componentes amplamente disponíveis |
|
VW AP 1.6 e 1.8 |
Ventura e modelos posteriores |
Motor dianteiro refrigerado a água |
|
VW 1.8 turbo 20V |
Lobini H1 |
Alto desempenho e instalação central-traseira |
|
VW 1.8 turbo do Gol GT |
Hofstetter Turbo |
Potência elevada para os padrões dos anos 1980 |
A lista também revela que nem todos os fabricantes seguiam exatamente a mesma fórmula. Alguns aproveitavam plataformas inteiras; outros criavam estruturas próprias e utilizavam apenas motor, câmbio ou componentes de suspensão.
Um capítulo singular da indústria automobilística brasileiraAnúncios
Os fora de série nacionais representam uma fase em que criatividade e adaptação eram essenciais para produzir automóveis diferentes no Brasil. Sem acesso fácil aos importados e com recursos limitados, pequenos fabricantes transformaram componentes conhecidos em projetos de personalidade própria.
Puma e Miura ajudaram a popularizar a ideia de esportivos nacionais com carroceria de fibra. Bianco e Adamo apostaram em desenhos inspirados nos carros de competição e nos esportivos europeus. O Dacon 828 levou a proposta a um microcarro, enquanto a Gurgel adaptou a mecânica Volkswagen para um jipe com soluções próprias.
Já o Hofstetter e o Lobini mostram como essa tradição chegou a projetos mais sofisticados, com motor turbo e arquitetura central-traseira.
Esses carros não eram apenas versões modificadas de modelos Volkswagen. Eram projetos independentes que aproveitaram uma base mecânica conhecida para criar automóveis com identidade brasileira — muitos deles hoje raros e valorizados por colecionadores.
Fontes: CNN Brasil, Quatro Rodas e Motor1.
LEIA TAMBÉM:
- Alfa Romeo 33 Stradale Perla Nera: exemplar único aposta em fibra de carbono fosca e interior feito sob medida
Spread the loveAlfa Romeo 33 Stradale Perla Nera: exemplar único aposta em fibra de carbono fosca e interior feito sob medida Criado para um colecionador da marca, o superesportivo é o único dos 33 exemplares da nova 33… - Mitsubishi Eclipse Cross GLS 2027 chega por R$ 155.990, mas perde multimídia e câmera de ré
Spread the love Mitsubishi Eclipse Cross GLS 2027 chega por R$ 155.990, mas perde multimídia e câmera de ré Nova versão passa a ser a porta de entrada do SUV médio no Brasil e custa R$ 21 mil… - Jeep lança séries especiais de 85 anos para Avenger e Renegade no Brasil
Spread the loveJeep lança séries especiais de 85 anos para Avenger e Renegade no Brasil Edições comemorativas chegam às concessionárias com visual exclusivo, mais equipamentos de tecnologia e segurança e produção limitada. Avenger 85 Anos custa R$ 142.990,… - Mercedes-Benz Classe V chega ao Brasil por R$ 834.900 e mira mercado de vans de luxo
Spread the love Mercedes-Benz Classe V chega ao Brasil por R$ 834.900 e mira mercado de vans de luxo Nova minivan de sete lugares aposta em conforto, espaço e prestígio para disputar clientes do transporte executivo; ausência de… - Peugeot 2008 rasga R$ 51.300 para taxistas e SUV da Chevrolet fica mais caro na comparação
Spread the lovePeugeot 2008 rasga R$ 51.300 para taxistas e SUV da Chevrolet fica mais caro na comparação O mercado brasileiro de SUVs compactos ganhou uma condição comercial bastante agressiva. O Peugeot 2008 Active Turbo 200 AT passou…
Você achava que a flacidez do corpo era só por causa da idade? 
Apenas 20% do envelhecimento da pele é natural! O restante vem de fatores externos como sol, estresse e falta de cuidado. A Loção Corporal Firmadora TimeWise® voltou pela 3ª vez ao Brasil com ativos potentes de skincare facial para devolver a firmeza e hidratação da sua pele.
Envie uma mensagem agora ou me chame no Direct para garantir o seu antes que esgote de novo!










