Juros do cartão de crédito disparam para 435,9% ao ano em fevereiro, aponta Banco Central
Os juros do cartão de crédito no Brasil seguem em um nível que beira o absurdo.
Dados do Banco Central do Brasil mostram que a taxa média do crédito rotativo chegou a 435,9% ao ano em fevereiro de 2026.
Na prática, é uma das linhas de crédito mais caras do país — e continua pegando muita gente desprevenida.
O que é o crédito rotativo
O rotativo entra em cena quando o cliente:
- Não paga o valor total da fatura
- Opta pelo pagamento mínimo
A partir daí, o banco financia o restante — com juros extremamente elevados.
Traduzindo: virou dívida, começa o problema.
Por que os juros são tão altos
- Não é só ganância (embora lucro esteja no pacote). Existem fatores estruturais:
- Alto risco de inadimplência
Bancos consideram o rotativo uma operação de risco elevado.
- Falta de garantia
Diferente de um financiamento, aqui não há um bem atrelado. - Cultura de uso do crédito
Muitos brasileiros usam o cartão como extensão da renda — e não como meio de pagamento. - Estrutura do sistema financeiro
Mesmo com concorrência maior, os spreads bancários no Brasil seguem entre os mais altos do mundo.
Nova regra ameniza, mas não resolve
Nos últimos anos, houve mudanças importantes:
- O cliente não pode ficar indefinidamente no rotativo
- Após 30 dias, a dívida deve ser parcelada com condições melhores
Mesmo assim, o estrago inicial já acontece — e rápido.
O impacto real no bolso
Vamos direto ao ponto:
Uma dívida de R$ 1.000 no rotativo pode virar várias vezes esse valor em poucos meses.
Com juros nessa faixa (acima de 400% ao ano), o crescimento da dívida é exponencial.
Não é exagero — é matemática básica.
Quem mais sofre com isso
- Famílias com renda apertada
- Pessoas sem reserva de emergência
- Quem usa o cartão para despesas do dia a dia
Ou seja: exatamente quem menos pode pagar juros altos.
Como evitar cair nessa armadilha
Sem rodeio, o básico que funciona:
- Pague sempre o valor total da fatura
- Evite usar o cartão como renda extra
- Tenha uma reserva mínima (mesmo que pequena)
- Se já entrou no rotativo, busque parcelamento imediatamente
Cartão de crédito é ferramenta — não solução financeira.
Conclusão
Os juros do cartão no Brasil continuam em um nível fora da realidade.
Os 435,9% ao ano mostram que, apesar de algumas melhorias regulatórias, o problema estrutural segue intacto.
No fim, vale a regra antiga que nunca falha:
se não pode pagar à vista, o cartão pode virar uma bola de neve.
FOTO: INTERNET
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