Jensen Interceptor GTX: marca britânica ressurge com V8 de 973 cv e prepara nova geração de esportivos
Protótipo de pista é o primeiro projeto totalmente novo da Jensen International Automotive, não é um restomod e servirá como laboratório para os futuros Interceptor GTR e GT
O nome Jensen Interceptor está de volta, mas de uma maneira muito diferente daquela imaginada pelos fãs de carros clássicos. Cinquenta anos depois do encerramento da produção do Interceptor original, a Jensen International Automotive (JIA) apresentou o Interceptor GTX, um cupê desenvolvido do zero para utilização em circuitos e que servirá como plataforma de desenvolvimento para uma nova família de carros britânicos de produção artesanal.
O modelo foi revelado em setembro de 2026 e chama atenção por reunir uma carroceria de alumínio moldada à mão, motor V8 6.8 sobrealimentado, tração traseira, câmbio sequencial de seis marchas e aproximadamente 973 PS, equivalentes a 960 bhp, segundo a unidade de medida utilizada pela evo.
Mais importante ainda: a própria Jensen afirma que o GTX não é um restomod nem um carro de continuação. Trata-se de um projeto completamente novo, criado para transportar a filosofia do histórico Interceptor para o século XXI.
Jensen Interceptor original foi produzido até 1976
O novo projeto recupera um nome de enorme peso na história dos esportivos britânicos.
O Jensen Interceptor original foi produzido entre 1966 e 1976 e ganhou fama como um grande cupê de turismo, combinando luxo britânico com grandes motores V8 americanos.
As versões históricas utilizavam motores Chrysler de aproximadamente 5,9 a 7,2 litros, seguindo uma receita que privilegiava cilindrada, torque e desempenho em viagens de longa distância.
A Jensen Motors encerrou a produção do Interceptor em 1976.
Agora, meio século depois, o nome retorna em um projeto completamente diferente.
Novo Interceptor não é um restomod
Essa é uma das informações mais importantes sobre o GTX.
A Jensen International Automotive ganhou notoriedade justamente por restaurar e modernizar exemplares do Interceptor clássico, trabalho que começou por volta de 2007 e inclui modelos como o Interceptor R e o Interceptor R Supercharged.
O GTX, entretanto, rompe com essa fórmula.
Não existe um Interceptor antigo servindo de base estrutural.
A empresa desenvolveu uma nova arquitetura, nova carroceria, nova suspensão e novo conjunto mecânico.
A inspiração está no design e no conceito do Interceptor, mas o automóvel é moderno. A própria Jensen descreve o projeto como um “clean-sheet design”, ou seja, desenvolvido praticamente a partir de uma folha em branco.
GTX foi criado primeiro para a pista
PUBLICIDADE
O Interceptor GTX não é homologado para circulação em vias públicas.
Ele foi concebido como um track car, destinado a circuitos e eventos de condução recreativa.
A Jensen, entretanto, não pretende transformar o carro em um competidor oficial de categorias FIA. O modelo utiliza equipamentos de segurança de competição, mas não foi desenvolvido para disputar um campeonato específico.
Essa decisão tem uma razão prática.
Como não precisa atender aos requisitos completos de um carro de rua, o GTX pode servir como uma plataforma de desenvolvimento muito mais simples e rápida.
Protótipo funciona como laboratório
A Jensen adotou uma estratégia pouco convencional.
Em vez de desenvolver primeiro um carro de rua, homologá-lo e depois criar uma versão esportiva, a empresa começou pelo modelo mais radical.
O GTX permite testar:
- motor;
- transmissão;
- suspensão;
- distribuição de peso;
- aerodinâmica;
- freios;
- pneus;
- estrutura;
- ergonomia;
- comportamento dinâmico.
A experiência acumulada servirá para os futuros modelos de rua. Cerca de 80% da forma exterior do GTX deverá ser preservada na futura família Interceptor, segundo a Jensen.
V8 6.8 sobrealimentado é o grande destaque
O coração do GTX é um V8 de 6,8 litros, derivado da arquitetura LT da General Motors.
O motor foi profundamente reconstruído pela especialista americana Late Model Engines (LME), sediada em Houston, no Texas.
Segundo a Jensen, menos de 20% dos componentes originais da GM permanecem no conjunto final.
Na prática, trata-se de um motor bastante modificado.
Quase 1.000 cv com compressor Roots
PUBLICIDADE
A preparação inclui um compressor mecânico Roots de 2,65 litros.
Entre os componentes modificados estão:
- cabeçotes usinados em CNC;
- válvulas de titânio;
- conjunto rotativo forjado;
- virabrequim;
- sistema de lubrificação por cárter seco;
- sistema de alimentação;
- turbocompressor mecânico/supercharger;
- gerenciamento eletrônico MoTeC.
O motor pode girar até 7.000 rpm.
A potência divulgada é de 960 bhp, valor equivalente a aproximadamente 973 PS.
GTX ainda tem margem para mais potência
Os 973 cv não representam necessariamente o limite do projeto.
A Jensen afirma que existe potencial para chegar a aproximadamente 1.217 cv, dependendo da calibração escolhida.
Esse número mostra a margem disponível no conjunto, mas a configuração apresentada ao público trabalha na faixa de 960 bhp para manter uma relação mais equilibrada entre desempenho, confiabilidade e dirigibilidade.
Motor foi recuado para melhorar a distribuição de peso
O V8 foi instalado em posição bastante recuada.
O propulsor fica atrás da linha do eixo dianteiro, contribuindo para colocar parte da massa mais próxima do centro do veículo.
Essa solução ajuda a melhorar o equilíbrio dinâmico.
Segundo a evo, o GTX possui distribuição de peso de aproximadamente 49% na dianteira e 51% na traseira.
Para um carro de tração traseira com quase 1.000 cv, esse equilíbrio é especialmente importante.
Câmbio sequencial de seis marchas
PUBLICIDADE
Toda a força é enviada às rodas traseiras por meio de um câmbio sequencial Samsonas de seis velocidades.
A transmissão utiliza engrenagens de dentes retos e fica posicionada no eixo traseiro, contribuindo para melhorar a distribuição de massa.
As trocas podem ser feitas pelas borboletas atrás do volante ou por uma alavanca no console.
O conjunto reforça a personalidade analógica do projeto.
Eixo cardã é feito de fibra de carbono
A ligação entre o motor dianteiro-central e o câmbio traseiro é feita por um eixo cardã de fibra de carbono.
O componente trabalha dentro de um tubo de torque de aço.
Além da resistência, o uso de carbono contribui para reduzir massa e inércia no conjunto de transmissão.
Carroceria é de alumínio moldado à mão
O design moderno esconde uma construção artesanal.
Os painéis externos são produzidos em alumínio moldado à mão pela empresa britânica Coventry Metalcraft.
A estrutura utiliza um monobloco de alumínio colado e rebitado, desenvolvido especificamente para o GTX.
A opção pelo alumínio tem relação com peso, rigidez e também com a intenção da Jensen de oferecer um comportamento mais refinado, e não apenas a brutalidade de um carro de competição.
Design respeita o passado sem copiar o clássico
PUBLICIDADE
O visual foi criado pela Avant Design.
A inspiração no Interceptor original aparece principalmente nas proporções e em alguns elementos característicos:
- capô longo;
- cabine recuada;
- coluna C marcante;
- traseira envolvente;
- desenho do vidro traseiro;
- postura larga.
Ao mesmo tempo, a Jensen evita uma estética excessivamente retrô.
A intenção é fazer um carro que pareça contemporâneo, mas que seja imediatamente reconhecido como descendente do Interceptor.
O Interceptor GTX tem aerodinâmica funcional
A carroceria ganhou elementos aerodinâmicos de grandes dimensões.
Entre eles estão:
- splitter dianteiro;
- assoalho plano;
- difusor traseiro;
- entradas de ar;
- asa traseira regulável.
A asa é capaz de gerar aproximadamente 350 kg de carga aerodinâmica, segundo as informações divulgadas pela Jensen.
Assim, os componentes não são apenas decorativos.
Eles foram desenvolvidos para efetivamente melhorar a estabilidade do carro em velocidade.
Asa traseira é um dos destaques
PUBLICIDADE
A enorme asa domina a traseira do GTX.
O componente foi pensado para gerar downforce e trabalhar em conjunto com o assoalho e o difusor.
Em um carro com quase 1.000 cv, a capacidade de controlar o fluxo de ar é fundamental.
Quanto maior a velocidade, maior a importância da carga aerodinâmica para manter o veículo estável.
Suspensão de duplo braço nas quatro rodas
A suspensão utiliza arquitetura de duplos braços triangulares na dianteira e na traseira.
Os amortecedores são fornecidos pela Nitron e possuem regulagem em três vias.
Essa configuração permite ajustar o comportamento conforme o circuito e as condições de condução.
É uma solução sofisticada para um carro de produção extremamente baixa.
Freios AP Racing
O sistema de frenagem utiliza componentes da AP Racing.
A Jensen optou por discos de aço flutuantes, em vez de sistemas de carbono-cerâmica.
A escolha está relacionada à facilidade de utilização e manutenção durante os testes e track days.
A empresa pretende que o GTX seja relativamente acessível para clientes que não possuem experiência profissional em competição.
Pneus Michelin Pilot Sport
PUBLICIDADE
Outro detalhe interessante é que o GTX utiliza pneus Michelin Pilot Sport, em vez de pneus slick de competição.
Essa escolha tem duas razões principais.
Primeiro, pneus com banda de rodagem são mais previsíveis para motoristas amadores.
Segundo, os dados coletados durante o desenvolvimento ficam mais próximos do comportamento que será utilizado nos futuros carros de rua.
Peso de 1.660 kg com fluidos
Apesar da utilização intensa de alumínio e fibra de carbono, o GTX pesa aproximadamente 1.660 kg com fluidos, de acordo com a evo.
O número pode parecer elevado para um carro de pista.
Mas é necessário considerar o tamanho do motor, os sistemas de segurança, a gaiola, o tanque de competição, a estrutura reforçada e o equipamento necessário para um veículo de quase 1.000 cv.
Com 973 PS, a relação peso-potência ainda fica em aproximadamente 1,7 kg por cv.
Interior é praticamente de competição
A cabine segue uma filosofia bastante diferente de um Grand Tourer tradicional.
O GTX possui:
- bancos Tillett de fibra de carbono;
- cintos de segurança de seis pontos;
- gaiola de proteção homologada pela FIA;
- sistema de extinção Lifeline;
- instrumentação MoTeC;
- acabamento em Alcantara.
Tudo foi direcionado à utilização em circuito.
GTX não pretende ser apenas um carro de exposição
PUBLICIDADE
Esse ponto é importante.
A Jensen não criou um conceito estático.
O GTX é um protótipo funcional, que imediatamente entrou em uma fase de testes dinâmicos.
A empresa pretende utilizá-lo em pistas e pistas de testes para acumular quilômetros e validar a engenharia antes de avançar para os modelos de rua.
Isso significa que o carro apresentado já é uma ferramenta de desenvolvimento.
Por que a Jensen começou pelo carro de pista?
A estratégia tem uma explicação simples.
Um carro destinado às ruas precisa atender a uma série de requisitos que não são necessários em um track car.
A versão de pista não precisa, por exemplo, dos mesmos sistemas completos de climatização, mecanismos de vidros, acabamento de produção em série ou determinados equipamentos de conforto.
Isso permite desenvolver e testar a arquitetura mais rapidamente.
Segundo o diretor-executivo David Duerden, a ideia é mostrar algo que já existe fisicamente, em vez de apresentar apenas um conceito digital.
GTX é o primeiro capítulo de uma nova família
PUBLICIDADE
O plano da Jensen envolve três níveis de produto.
Interceptor GTX
Versão extremamente esportiva e exclusiva para pista.
Interceptor GTR
Modelo de rua com forte orientação esportiva, derivado da experiência adquirida com o GTX.
Interceptor GT
Grand Tourer mais confortável, luxuoso e próximo da filosofia original do Interceptor.
A própria Jensen confirma que os futuros GTR e GT serão desenvolvidos posteriormente ao GTX.
GTR será a ponte entre pista e rua
O Interceptor GTR deverá ser menos radical que o GTX.
A expectativa é que mantenha boa parte da arquitetura e da personalidade esportiva, mas receba equipamentos necessários para utilização rodoviária.
A ideia é posicioná-lo como um carro mais próximo de um esportivo de rua de altíssimo desempenho, ainda bastante orientado à condução.
As especificações definitivas e o cronograma de lançamento ainda não foram divulgados.
GT será o verdadeiro Grand Tourer
Depois do GTR, a Jensen pretende apresentar o Interceptor GT.
Esse modelo terá uma missão diferente.
Em vez de privilegiar exclusivamente a pista, deverá recuperar o conceito original do Interceptor: um Grand Tourer rápido, refinado e confortável.
A proposta inclui uma cabine mais sofisticada e espaço para quatro ocupantes.
A Jensen também prevê a possibilidade de câmbio manual em padrão H ou automático de oito marchas, dependendo da preferência do cliente.
GT ainda não tem data de lançamento
PUBLICIDADE
Essa informação precisa ser destacada.
A Jensen não divulgou uma data definitiva para a chegada do GTR ou do GT.
O cronograma depende do avanço dos testes, além da definição de parceiros, fornecedores, investimentos e processos necessários para os futuros modelos de rua.
Por isso, qualquer previsão mais precisa para lançamento deve ser tratada como especulação.
Jensen já investiu cerca de £ 1,2 milhão no projeto
A construção do GTX exigiu um investimento estimado em aproximadamente £ 1,2 milhão até o estágio atual.
Grande parte desse valor foi destinada ao desenvolvimento e ao ferramental necessário para a produção artesanal dos painéis.
O número mostra que a Jensen já avançou muito além de um exercício puramente de design.
Ferramental já permite pequenas séries
A Jensen informa que já possui ferramentas para fabricar os painéis do GTX.
Segundo a evo, o ferramental atual permitiria produzir aproximadamente 10 a 15 unidades antes de exigir uma atualização.
Isso significa que a empresa pode produzir alguns exemplares sob encomenda mesmo antes de finalizar os modelos de rua.
Quanto custa o Interceptor GTX?
É aqui que o projeto entra em território de altíssimo luxo.
Segundo a evo, um GTX construído na configuração apresentada custaria a partir de £ 850 mil.
Esse valor é uma referência para o carro na especificação apresentada e não representa necessariamente um preço final para todos os exemplares.
Como a produção será artesanal, personalizações e especificações individuais poderão alterar significativamente o valor.
Produção será extremamente limitada
A Jensen não pretende produzir o GTX em grande escala.
O veículo foi planejado para uma quantidade muito pequena, destinada principalmente a colecionadores e entusiastas de track days.
A proposta econômica é completamente diferente daquela de uma montadora tradicional.
Em vez de vender milhares de unidades, a Jensen busca entregar exclusividade, construção artesanal e personalização.
A marca pretende produzir os carros no Reino Unido
A nova família Interceptor será projetada, desenvolvida e construída artesanalmente no Reino Unido, utilizando a rede de fornecedores especializados da Jensen International.
Essa estratégia também reforça a identidade britânica do projeto.
O objetivo não é simplesmente importar componentes e montar um carro de baixo volume.
Existe uma preocupação em preservar a fabricação artesanal local.
Um espaço reservado para motor elétrico chama atenção
Embora o GTX seja equipado exclusivamente com o V8, existe espaço físico na arquitetura dianteira para a eventual instalação de um motor elétrico.
A ideia abre a possibilidade de uma futura configuração híbrida.
A Jensen ainda não confirmou um modelo híbrido de produção, mas a arquitetura demonstra que o projeto não foi pensado de maneira completamente fechada em relação às futuras tecnologias.
A proposta é preservar uma experiência analógica
A Jensen quer se diferenciar justamente pela interação entre motorista e carro.
O GTX utiliza:
V8 grande + supercharger + tração traseira + câmbio sequencial + comandos físicos.
A empresa também indica que os futuros carros poderão receber transmissão manual.
Isso coloca o novo Interceptor em uma tendência que vem ganhando força entre fabricantes artesanais: preservar a experiência mecânica em uma época de crescente eletrificação.
Jensen quer competir em um nicho muito exclusivo
O mercado pretendido é pequeno, mas possui consumidores dispostos a pagar muito por carros especiais.
Nesse segmento, o valor do produto não está apenas na velocidade.
Também importam:
- exclusividade;
- história;
- engenharia;
- fabricação artesanal;
- personalização;
- baixa produção;
- identidade da marca.
A Jensen pretende utilizar justamente esses elementos para diferenciar o novo Interceptor.
GTX x Interceptor clássico
| Característica |
Interceptor 1966–1976 |
Interceptor GTX |
| Proposta |
Grand Tourer |
Track car |
| Motor |
V8 Chrysler |
V8 GM 6.8 sobrealimentado |
| Cilindrada |
5,9 a 7,2 litros, conforme versão |
6,8 litros |
| Potência |
Variava conforme versão |
Cerca de 960 bhp/973 PS |
| Tração |
Traseira |
Traseira |
| Câmbio |
Manual/automático, conforme versão |
Sequencial, 6 marchas |
| Estrutura |
Convencional |
Monobloco de alumínio |
| Carroceria |
Produção tradicional |
Alumínio moldado à mão |
| Aerodinâmica |
Convencional |
Asa, splitter, difusor e assoalho |
| Uso |
Rua |
Circuito |
| Produção |
Série histórica |
Ultra baixa escala |
O projeto não tenta ser um “carro antigo novo”
Esse talvez seja o aspecto mais interessante.
A Jensen poderia simplesmente ter utilizado um Interceptor original e instalado um novo motor.
Seria um caminho mais simples e próximo dos restomods que a própria empresa já produz.
Em vez disso, decidiu criar uma nova plataforma.
A empresa afirma que queria levar o espírito do Interceptor adiante, e não construir uma continuação direta do modelo antigo.
O design é a conexão entre passado e futuro
Mesmo com toda a modernidade, o GTX ainda possui características que permitem reconhecer a origem.
A coluna C, o desenho da traseira e as proporções gerais remetem diretamente ao Interceptor.
Mas os faróis, as entradas de ar, as superfícies aerodinâmicas e a iluminação traseira foram desenhados para um carro moderno.
A Jensen chama essa abordagem de uma interpretação contemporânea, e não de um exercício retrô.
O GTX pode ser comparado a um laboratório sobre rodas
Essa é talvez a melhor forma de entender o projeto.
A empresa está testando uma arquitetura que poderá dar origem a uma nova família.
O carro apresentado ao público já reúne os principais elementos que serão estudados para os produtos futuros.
O GTX é, ao mesmo tempo:
protótipo + demonstrador tecnológico + carro de pista + possível produto de pequena série.
A grande questão agora é o GTR
O GTX já existe.
O desafio seguinte será transformar essa engenharia em um automóvel de rua.
O GTR será justamente essa ponte.
Ele terá de manter boa parte da personalidade do GTX, mas precisará cumprir requisitos legais, oferecer maior conforto e ser utilizável fora dos circuitos.
Essa etapa será consideravelmente mais complexa.
E depois virá o GT
O GT será ainda mais importante para recuperar o espírito do Interceptor clássico.
A ideia é construir um grande turismo de luxo, com capacidade para quatro passageiros e uma proposta mais confortável.
A Jensen pretende manter o V8 como elemento central da identidade.
O resultado deverá ficar mais próximo de um super-GT artesanal do que de um carro de corrida adaptado para as ruas.
Os próximos passos
Depois da revelação do GTX, a Jensen iniciou a fase de testes dinâmicos.
O carro será utilizado em pistas e pistas de testes para reunir dados reais de funcionamento.
Essas informações deverão influenciar:
- calibração do motor;
- suspensão;
- aerodinâmica;
- freios;
- pneus;
- rigidez estrutural;
- ergonomia;
- comportamento de condução.
O conhecimento adquirido será utilizado nos futuros Interceptor.
Ficha técnica do Jensen Interceptor GTX
| Item |
Especificação |
| Modelo |
Jensen Interceptor GTX |
| Tipo |
Protótipo de pista |
| Projeto |
Clean-sheet |
| Não é |
Restomod ou continuation car |
| Motor |
V8 6.8 GM/LT profundamente modificado |
| Preparação |
Late Model Engines |
| Sobrealimentação |
Roots 2,65 litros |
| Potência divulgada |
960 bhp / aprox. 973 PS |
| Potência potencial |
Até cerca de 1.217 cv |
| Rotação máxima |
7.000 rpm |
| Tração |
Traseira |
| Câmbio |
Sequencial Samsonas, 6 marchas |
| Eixo cardã |
Fibra de carbono |
| Estrutura |
Monobloco de alumínio |
| Carroceria |
Alumínio moldado à mão |
| Aerodinâmica |
Splitter, assoalho plano, difusor e asa ativa |
| Downforce da asa |
Cerca de 350 kg |
| Suspensão |
Duplos braços triangulares |
| Amortecedores |
Nitron, reguláveis em três vias |
| Freios |
AP Racing, discos de aço |
| Rodas |
Vossen forjadas de 20″ |
| Pneus |
Michelin Pilot Sport |
| Peso com fluidos |
Cerca de 1.660 kg |
| Distribuição de peso |
Aproximadamente 49:51 |
| Segurança |
Gaiola FIA, cintos de seis pontos e extintor |
| Interior |
Fibra de carbono e Alcantara |
| Uso em rua |
Não homologado |
| Preço estimado |
A partir de £ 850 mil |
| Próximos modelos |
Interceptor GTR e Interceptor GT |
| Produção GTR/GT |
Ainda não definida |
| Possível eletrificação futura |
Espaço reservado para motor elétrico |
Os dados de potência, peso, arquitetura, aerodinâmica e preço são baseados principalmente nas informações da evo e da Jensen International Automotive divulgadas em setembro de 2026.
Conclusão
O Jensen Interceptor GTX representa uma das voltas mais curiosas de um nome tradicional da indústria britânica.
Cinquenta anos depois do encerramento da produção do Interceptor original, a Jensen International Automotive decidiu não apostar simplesmente em mais um restomod. Em vez disso, criou um automóvel completamente novo, desenvolvido do zero e inspirado nas proporções e na personalidade do clássico.
O resultado é um cupê de pista com V8 6.8 sobrealimentado, aproximadamente 973 PS, tração traseira, câmbio sequencial de seis marchas e carroceria de alumínio artesanal.
A preparação do motor é particularmente impressionante.
Derivado da arquitetura LT da General Motors e reconstruído pela Late Model Engines, o V8 recebeu componentes forjados, cabeçotes usinados em CNC, válvulas de titânio, cárter seco e compressor Roots de 2,65 litros. A potência de aproximadamente 960 bhp/973 PS ainda possui margem para chegar a cerca de 1.217 cv com outra calibração.
A dinâmica também recebeu atenção especial.
O motor foi recuado para trás do eixo dianteiro, o peso é distribuído aproximadamente em 49:51, a suspensão utiliza duplos braços triangulares nas quatro rodas e a aerodinâmica produz cerca de 350 kg de apoio na asa traseira.
Mas o GTX não é o destino final.
Ele é o primeiro passo de um projeto maior.
A Jensen pretende utilizar o conhecimento adquirido no protótipo para desenvolver o Interceptor GTR, uma versão de rua mais esportiva, e posteriormente o Interceptor GT, um Grand Tourer de luxo mais próximo da proposta do modelo original.
Ainda não existem datas definitivas para esses dois modelos.
A próxima etapa depende do resultado dos testes do GTX, além da definição de parceiros, investidores, fornecedores e dos processos necessários para a produção de veículos de rua.
O preço também mostra que estamos diante de um automóvel extremamente exclusivo. A evo estima £ 850 mil ou mais para um GTX na configuração apresentada.
A Jensen, portanto, não está tentando voltar ao mercado para competir com fabricantes de grande volume.
A estratégia é completamente diferente.
A marca quer ressuscitar o espírito do Interceptor por meio de carros produzidos em pequena escala, construídos artesanalmente e destinados a um público disposto a pagar pela combinação de história, engenharia e exclusividade.
O mais interessante é que a Jensen resolveu começar justamente pelo modelo mais radical.
O Interceptor GTX é uma espécie de laboratório sobre rodas: quase 1.000 cv, carroceria artesanal, aerodinâmica de competição e tecnologia moderna para provar que o lendário nome britânico ainda pode ter um futuro — desta vez, sem depender de um carro do passado.