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Estudantes criam carro elétrico que pode gerar mais energia do que consome

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Estudantes criam carro elétrico que pode gerar mais energia do que consome

Deep Orange 17, desenvolvido pela Clemson University em parceria com a BMW, combina mais de 1.700 células solares, baixo peso e aerodinâmica para alcançar uma proposta inédita de mobilidade elétrica

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Um grupo de estudantes de pós-graduação em engenharia automotiva da Clemson University, nos Estados Unidos, desenvolveu um protótipo elétrico que leva a eficiência energética a um novo patamar.

Batizado de Deep Orange 17 e apelidado de Luminetta, o veículo foi criado em parceria com engenheiros da BMW dentro de um programa acadêmico que desafia estudantes a projetar e construir veículos experimentais completos.

A grande novidade está na proposta: o protótipo foi concebido para ser um veículo “energy positive”, ou seja, capaz de gerar, ao longo de um ciclo típico de deslocamento urbano, mais energia solar do que a energia elétrica utilizada para realizar aquele trajeto.

Para atingir esse objetivo, os estudantes não apostaram apenas em painéis solares. O projeto combina mais de 1.700 células fotovoltaicas integradas à carroceria, construção extremamente leve, aerodinâmica otimizada, frenagem regenerativa e gerenciamento inteligente do sistema de propulsão.

A Clemson University informa que o projeto começou no início de 2025 e envolve 16 estudantes de pós-graduação, que trabalham em conjunto com a BMW para desenvolver o protótipo.

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O que é o Deep Orange 17?

O Deep Orange é um programa da Clemson University voltado ao desenvolvimento de veículos-conceito por estudantes de engenharia automotiva.

A cada edição, os alunos recebem um desafio tecnológico e precisam desenvolver uma solução praticamente do zero, passando por etapas como análise de mercado, engenharia, arquitetura veicular, fabricação, integração de sistemas e construção do protótipo.

No caso do Deep Orange 17, o desafio veio da BMW e colocou a eficiência energética no centro do projeto.

A pergunta que orientou o desenvolvimento foi essencialmente: seria possível criar um carro elétrico que produzisse mais energia do que consome durante um deslocamento cotidiano?

A resposta dos estudantes foi o Luminetta.

Segundo a própria Clemson, o objetivo do projeto é desenvolver um veículo elétrico integrado à energia solar que consiga produzir mais energia do que consome durante um ciclo padrão de 24 horas de deslocamento.

Luminetta tem mais de 1.700 células solares

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O elemento mais impressionante do protótipo está espalhado pela própria carroceria.

O Luminetta utiliza mais de 1.700 células fotovoltaicas integradas ao veículo.

Em vez de simplesmente instalar um grande painel solar sobre o teto, como acontece em alguns projetos experimentais, a equipe transformou praticamente toda a superfície disponível da carroceria em uma área capaz de captar energia.

As células podem produzir eletricidade enquanto o carro está estacionado e também durante o deslocamento.

A energia gerada é direcionada para a bateria de tração, aumentando a quantidade de eletricidade disponível para movimentar o veículo.

Isso cria uma diferença importante em relação a carros elétricos convencionais: em vez de depender exclusivamente de uma fonte externa para recarregar a bateria, o Luminetta consegue produzir parte da própria energia necessária para sua utilização.

Painéis continuam funcionando mesmo com sombra parcial

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Um dos desafios de colocar células solares em uma carroceria é a sombra parcial.

Em um painel convencional, uma área sombreada pode reduzir significativamente a produção do conjunto. Em um automóvel, entretanto, sombras são praticamente inevitáveis.

Árvores, prédios, postes, outros veículos e até partes da própria carroceria podem bloquear a luz que chega às células.

Por isso, o projeto utilizou tecnologia desenvolvida em conjunto com o Fraunhofer Institute for Solar Energy Systems ISE, da Alemanha.

A solução permite que os módulos continuem gerando energia mesmo quando parte da superfície está sob sombra.

Esse detalhe é fundamental para um veículo solar destinado ao uso urbano, onde as condições de iluminação mudam constantemente.

Como um carro pode gerar mais energia do que consome?

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A expressão “mais energia do que consome” pode causar certa confusão.

O Luminetta não significa que o veículo produzirá continuamente mais eletricidade do que seu motor utiliza.

O conceito está relacionado ao balanço energético durante um determinado período de utilização.

Imagine um motorista que percorra uma distância relativamente curta todos os dias. Enquanto o carro estiver estacionado durante várias horas, as células solares continuarão captando energia.

Durante o deslocamento, elas também poderão produzir eletricidade.

Se a quantidade total de energia solar captada ao longo do dia for maior do que a energia retirada da bateria para realizar o trajeto, o veículo termina aquele ciclo com um saldo energético positivo.

É exatamente esse cenário que os estudantes estão tentando demonstrar.

Simulações indicam grande excedente de energia

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Para avaliar o conceito, a equipe realizou simulações considerando diferentes condições climáticas.

Foram analisadas cidades como Greenville, nos Estados Unidos; Frankfurt, na Alemanha; Madrid, na Espanha; e Mumbai, na Índia.

Em um cenário de deslocamento diário de aproximadamente 12 milhas, ou cerca de 19 quilômetros, o veículo poderia gerar energia solar suficiente não apenas para compensar o consumo do trajeto, mas também para adicionar, em média, cerca de 31 milhas de autonomia, aproximadamente 50 quilômetros.

Esses números são resultados de simulações e não devem ser interpretados como uma autonomia solar garantida para qualquer motorista ou condição climática.

Em outra descrição do projeto, baseada em uma rotina de aproximadamente 20 quilômetros por dia, a Clemson e fontes associadas ao desenvolvimento apontam para um excedente solar que poderia representar cerca de 50 quilômetros adicionais em média nos locais avaliados.

O peso é um dos grandes segredos do projeto

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Não basta colocar painéis solares em um carro e esperar que ele se torne energeticamente eficiente.

Um automóvel convencional pesa centenas ou até milhares de quilos. Quanto maior a massa, maior tende a ser a energia necessária para acelerar e manter o veículo em movimento.

Por isso, a equipe do Deep Orange 17 trabalhou intensamente na redução de peso.

O Luminetta pesa aproximadamente 550 kg, ou cerca de 1.212 libras.

Para efeito de comparação, esse peso é extremamente baixo para um veículo elétrico moderno.

A estrutura utiliza uma combinação de aço, alumínio, fibra de carbono e componentes metálicos produzidos por impressão 3D.

A estratégia permite reduzir massa sem simplesmente eliminar estruturas necessárias à rigidez e à segurança do protótipo.

Aerodinâmica também tem papel fundamental

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Outro elemento importante é a aerodinâmica.

A carroceria do Luminetta foi inspirada no formato do peixe-cofre, conhecido por sua capacidade de apresentar uma combinação surpreendente entre espaço interno e eficiência aerodinâmica.

A ideia foi criar uma carroceria com baixa resistência ao ar sem comprometer completamente o espaço disponível para os ocupantes.

Em um veículo extremamente eficiente, cada detalhe importa.

Uma carroceria mais aerodinâmica significa menor resistência ao avanço e, consequentemente, menor demanda energética para manter determinada velocidade.

Quando essa característica é combinada com baixo peso, pneus eficientes, recuperação de energia e motor elétrico, o consumo pode cair significativamente.

Frenagem regenerativa ajuda a recuperar energia
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O Luminetta também utiliza frenagem regenerativa.

Em um carro elétrico convencional, quando o motorista tira o pé do acelerador ou freia, parte da energia cinética do veículo normalmente seria dissipada na forma de calor pelos freios.

Na frenagem regenerativa, o motor elétrico passa a atuar como gerador.

A energia cinética do veículo é convertida novamente em energia elétrica e armazenada na bateria.

No Deep Orange 17, esse recurso trabalha em conjunto com outras estratégias de gerenciamento energético para reduzir o desperdício.

O sistema também utiliza gerenciamento inteligente de torque e controles otimizados do conjunto motriz, buscando extrair o máximo de eficiência de cada quilômetro percorrido.

O carro é pequeno e tem dois lugares

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A proposta de máxima eficiência também aparece na configuração da cabine.

O Luminetta é um cupê elétrico de dois lugares, desenvolvido prioritariamente como laboratório tecnológico.

Essa configuração permite reduzir dimensões, peso e área frontal, fatores que ajudam diretamente no consumo de energia.

Isso também deixa claro que o projeto não foi concebido como uma substituição imediata de um carro familiar convencional.

O objetivo principal é demonstrar até onde a engenharia consegue levar a eficiência de um veículo elétrico quando todos os sistemas são projetados para trabalhar em conjunto.

BMW participa diretamente do desenvolvimento

A parceria com a BMW é outro aspecto relevante do projeto.

A montadora atua como principal parceira do Deep Orange 17, colocando seus engenheiros em contato direto com os estudantes.

A Clemson explica que o programa procura reproduzir, dentro do ambiente universitário, uma experiência próxima daquela encontrada no desenvolvimento de um veículo real da indústria automotiva.

Os estudantes participam de diferentes áreas, incluindo:

  • powertrain;

  • controles;

  • integração solar;

  • estruturas;

  • dinâmica veicular;

  • interface homem-máquina;

  • engenharia digital;

  • fabricação;

  • gerenciamento do projeto.

A parceria proporciona aos alunos experiência prática em um projeto automotivo completo, enquanto a indústria acompanha soluções desenvolvidas para desafios futuros da mobilidade.

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O projeto começou em 2025

O desenvolvimento do Deep Orange 17 começou no início de 2025.

Durante aproximadamente dois anos, os 16 estudantes envolvidos trabalharam no conceito, na engenharia e na construção do protótipo.

A Clemson considera o projeto parte de uma longa tradição do programa Deep Orange, que já produziu diversos veículos-conceito desenvolvidos por estudantes.

Cada geração aborda um desafio diferente relacionado ao futuro da mobilidade.

No caso do DO17, a questão central é a eficiência energética e a utilização de energia solar em veículos elétricos.

O Luminetta não é um carro de produção

Apesar de toda a tecnologia envolvida, é importante destacar que o Deep Orange 17 não é um novo modelo da BMW nem um carro que será vendido ao consumidor.

Trata-se de um protótipo de pesquisa e desenvolvimento.

A intenção é demonstrar conceitos e testar soluções que podem contribuir para o desenvolvimento futuro da mobilidade elétrica.

Isso significa que tecnologias utilizadas no protótipo podem ser modificadas, aprimoradas ou até abandonadas depois dos testes.

O projeto também não representa uma previsão de que veículos de produção passarão imediatamente a funcionar apenas com energia solar.

A capacidade de geração fotovoltaica de um automóvel depende diretamente de fatores como área disponível, eficiência das células, intensidade da luz solar, temperatura, orientação da carroceria, clima, sombra e tempo de estacionamento.

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Por que a energia solar ainda é um desafio para carros elétricos?

A energia solar possui uma grande vantagem: está disponível gratuitamente e pode ser captada enquanto o veículo permanece estacionado.

O problema é a densidade energética relativamente baixa da radiação solar.

Uma residência pode instalar dezenas de metros quadrados de painéis no telhado. Um automóvel, por outro lado, possui uma área muito menor.

Por isso, simplesmente colocar placas solares no teto de um carro convencional não costuma produzir energia suficiente para substituir a recarga tradicional.

O diferencial do Luminetta é justamente atacar o problema por vários lados.

Em vez de depender exclusivamente da geração solar, o projeto combina:

energia solar + baixo peso + aerodinâmica + regeneração + eficiência do motor + gerenciamento eletrônico.

É a soma dessas soluções que torna possível alcançar um balanço energético tão favorável.

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Carro solar pode eliminar a necessidade de carregadores?

Em determinadas condições, um veículo extremamente eficiente e com baixa demanda energética pode reduzir drasticamente a necessidade de recargas externas.

Mas isso não significa que a infraestrutura de carregamento possa ser eliminada.

Em dias nublados, durante períodos de chuva, em regiões com menor incidência solar ou para motoristas que percorrem distâncias maiores, a geração fotovoltaica pode não ser suficiente.

Além disso, o resultado apresentado pelo Deep Orange 17 está relacionado a simulações e condições específicas de uso.

Portanto, o conceito deve ser entendido como uma demonstração do potencial da energia solar combinada à eficiência extrema, e não como uma solução universal que dispensa tomadas e carregadores.

O que o projeto ensina para o futuro dos carros elétricos?
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Talvez a principal contribuição do Deep Orange 17 não esteja apenas nos painéis solares.

O projeto demonstra que a eficiência de um automóvel pode ser tratada como um problema sistêmico.

Em vez de simplesmente instalar uma bateria maior para aumentar a autonomia, os engenheiros podem buscar outras alternativas:

  • reduzir o peso;

  • diminuir o arrasto aerodinâmico;

  • melhorar a eficiência do motor;

  • recuperar energia durante a frenagem;

  • utilizar materiais mais leves;

  • otimizar o gerenciamento eletrônico;

  • aproveitar fontes de energia disponíveis durante o uso;

  • reduzir o consumo dos sistemas auxiliares.

Essa abordagem pode ser especialmente importante no futuro dos veículos elétricos.

Protótipo deverá ser apresentado na CES 2027
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O trabalho com o Deep Orange 17 não termina com a construção do protótipo.

A pesquisa continuará na Clemson University e o veículo está previsto para ser apresentado na CES 2027, em Las Vegas.

A CES é uma das maiores vitrines mundiais para novas tecnologias e deverá proporcionar ao projeto uma exposição internacional.

A apresentação também permitirá que pesquisadores, empresas e profissionais do setor avaliem de perto as soluções utilizadas no Luminetta.

Deep Orange 17: principais números

Característica Deep Orange 17 / Luminetta
Tipo Protótipo elétrico solar
Projeto Deep Orange 17
Apelido Luminetta
Desenvolvimento Clemson University + BMW
Equipe 16 estudantes de pós-graduação
Início do projeto 2025
Peso aproximado 550 kg
Células solares Mais de 1.700
Carroceria Células fotovoltaicas integradas
Configuração Dois lugares
Propulsão Elétrica
Recuperação de energia Frenagem regenerativa
Materiais Aço, alumínio, fibra de carbono e componentes 3D
Simulações Greenville, Frankfurt, Madrid e Mumbai
Meta Balanço energético positivo em ciclo diário
Exposição prevista CES 2027

Uma nova visão para a mobilidade elétrica
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O Deep Orange 17 Luminetta mostra que o futuro do carro elétrico pode depender não apenas de baterias maiores, mas de veículos muito mais eficientes.

Com aproximadamente 550 kg, mais de 1.700 células solares, carroceria aerodinâmica, frenagem regenerativa e gerenciamento inteligente do sistema elétrico, o protótipo foi desenvolvido para aproveitar praticamente cada unidade de energia disponível.

Os resultados apresentados pela equipe são especialmente interessantes porque apontam para um cenário no qual um motorista urbano poderia, em determinadas condições, produzir mais energia solar durante o dia do que a quantidade utilizada para seus deslocamentos.

É importante, porém, separar o conceito da realidade de um automóvel produzido em massa. Os resultados dependem das condições de uso, da incidência solar e de um veículo projetado especificamente para maximizar a eficiência.

Mesmo assim, o projeto representa um experimento relevante para a indústria automotiva.

Mais do que criar um carro solar, os estudantes da Clemson e seus parceiros estão testando uma ideia que pode ganhar cada vez mais importância: o automóvel do futuro não precisa apenas consumir menos energia; ele também pode aprender a aproveitar melhor a energia que recebe do ambiente.

FOTO: “Imagem ilustrativa — não corresponde exatamente ao modelo real.”

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