Dólar cai ao menor nível desde 2024: por que o real voltou a ganhar força em 2026
A recente queda do dólar para os níveis mais baixos desde maio de 2024 não é obra do acaso nem “milagre econômico”.
É resultado de uma combinação clássica de fatores financeiros, já vista outras vezes na história recente do Brasil: juros altos, capital estrangeiro em busca de retorno e um cenário externo menos hostil.
O movimento chama atenção porque ocorre após anos de forte volatilidade cambial, quando o dólar passou longos períodos acima de R$ 5,30 e chegou a flertar com níveis ainda mais elevados em momentos de estresse global.
Agora, o jogo virou — ao menos por enquanto.
O pano de fundo: por que o dólar estava alto e por que começou a cair
Historicamente, o dólar sobe no Brasil quando há:
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Incerteza fiscal
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Instabilidade política
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Fuga de capital
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Crises externas
E cai quando ocorre o oposto.
O que estamos vendo em 2026 é um ambiente temporariamente favorável ao real, sustentado por três pilares sólidos — e um quarto, menos falado, mas importante.
Pilar 1 – Juros altos no Brasil: o velho atrativo que nunca falha
O Brasil segue com uma das maiores taxas de juros reais do mundo. Com a Selic ainda em patamar elevado, o país volta a ser um ímã para investidores internacionais, especialmente fundos que operam estratégias de carry trade.
Como funciona, na prática:
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O investidor capta dinheiro barato em países com juros baixos
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Converte dólares em reais
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Aplica em títulos públicos, renda fixa ou até bolsa
-
Lucra com o diferencial de juros e com a valorização do real
Isso gera:
✔ Entrada de dólares
✔ Aumento da oferta de moeda estrangeira
✔ Pressão de queda no câmbio
Esse é o “arroz com feijão” do mercado financeiro. Nada de novo. Sempre funcionou assim.
Pilar 2 – Cenário global menos defensivo (menos medo, menos dólar)
O dólar é, antes de tudo, moeda de proteção. Quando o mundo entra em modo “pânico”, o dinheiro corre para os Estados Unidos. Quando o medo diminui, o fluxo se dispersa.
Em 2026, o cenário externo apresenta:
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Menor aversão ao risco
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Mercado global mais líquido
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Investidores voltando a olhar para emergentes
Com isso:
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O índice DXY (dólar global) perde força
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Moedas de países emergentes se valorizam
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O real entra no pacote
Resumo direto: menos medo no mundo = menos dólar forte.
Pilar 3 – Fluxo estrangeiro consistente para bolsa e renda fixa
Os dados mais recentes mostram entrada líquida relevante de capital estrangeiro no Brasil, especialmente:
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Em ações
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Em títulos públicos
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Em crédito privado
O Ibovespa bate recordes históricos não por patriotismo financeiro, mas porque:
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Ativos brasileiros ainda estão baratos em dólar
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Empresas grandes pagam bons dividendos
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O retorno ajustado ao risco está atrativo
Esse fluxo não apenas fortalece a bolsa, mas derruba o dólar diretamente.
Pilar 4 – Expectativa, não certeza, de maior previsibilidade econômica
Aqui entra um fator mais sutil: expectativa.
O mercado financeiro se antecipa. Ele não espera a economia melhorar — ele aposta antes. Parte da queda do dólar reflete:
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Expectativa de inflação mais controlada
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Menor risco de rupturas macroeconômicas no curto prazo
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Percepção de que “o pior já passou”
Isso não significa crescimento robusto ou solução estrutural. Significa apenas menos sustos no radar imediato.
Quem ganha e quem perde com o dólar mais baixo
✅ Quem ganha
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Importadores
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Empresas dependentes de insumos externos
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Setor de tecnologia
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Consumidor final (no curto prazo)
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Investidores estrangeiros já posicionados
⚠️ Quem perde
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Exportadores (especialmente commodities)
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Empresas dolarizadas
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Setores que competem com produtos importados
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Governo, em parte, pela redução de receitas ligadas ao câmbio
Dólar baixo não é bom nem ruim por definição. Ele redistribui ganhos e perdas.
Até quando o dólar pode continuar caindo?
Aqui vai a parte que ninguém gosta, mas precisa ser dita.
Esse movimento não é estrutural, é cíclico.
O dólar pode voltar a subir rapidamente se:
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Os juros no Brasil começarem a cair rápido demais
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O cenário fiscal se deteriorar
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O Fed mudar o tom e fortalecer o dólar global
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Alguma crise geopolítica estourar
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O fluxo estrangeiro inverter
Ou seja: não é tendência garantida, é janela de oportunidade.
Leitura histórica: isso já aconteceu antes
O Brasil já viveu ciclos semelhantes:
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2009–2011
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2016–2017
-
Trechos de 2019
Em todos os casos:
✔ Juros altos
✔ Entrada de capital
✔ Real valorizado
❌ Sustentação limitada no tempo
A história mostra que o câmbio brasileiro é volátil por natureza.
Conclusão: dólar mais baixo é sinal de alívio, não de vitória
A queda do dólar ao menor nível desde 2024 indica:
-
Ambiente financeiro mais favorável
-
Forte influência de capital externo
-
Juros ainda sendo o grande motor da economia
Mas não indica:
❌ Crescimento sustentável
❌ Solução fiscal
❌ Estabilidade permanente
É um bom momento, mas não um novo normal.
Quem entende economia sabe: o dólar no Brasil nunca dorme tranquilo por muito tempo.
FOTO: INTERNET
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